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13 de junho de 2012

O inferno astral do Firefox

O inferno astral do Firefox
Há alguns anos, eu era fã e usuário do Firefox, para mim não tinha navegador melhor, até eu conhecer e começar a usar o Google Chrome, a Mozilla tinha todos os holofotes voltados para ela - o Firefox era o primeiro desafiante à altura do Internet Explorer em muito tempo. A identidade da companhia com o open source melhorou a percepção do público, o que deu um bom começo para o projeto.

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Contudo, há certo tempo, a Mozilla tem passado por maus bocados. Dados recentes mostram que o Google Chrome fez aquilo que o Firefox nunca conseguiu: tirar o IE do lugar mais alto do pódio do mercado de navegadores, destacando o efeito desastroso que a gigante das buscas ocasionou no principal produto da fundação Mozilla.

Com o crescimento da popularidade do Chrome, depois de seu lançamento oficial em 2008, também aumentaram os problemas enfrentados pela Fundação. Apesar dos dados da StatCounter apontarem que o navegador do Google causou mais danos ao IE durante sua ascendência, a parcela de mercado do Firefox começou a diminuir no início de 2011, enquanto o Chrome continuava crescendo.

Além disso, algumas das tentativas do Firefox para retomar o fôlego causaram alguns problemas. Usuários corporativos não ficaram satisfeitos com a mudança para um “estilo Chrome” de política de iteração rápida (diversas versões do browser em pequenos espaços de tempo) em 2011, sem falar no trabalho extra necessário para garantir a compatibilidade dos plug-ins; a companhia acabou decidindo começar a oferecer uma versão de suporte a longo prazo do navegador.

De acordo com informações do StatCounter, o Firefox está estagnado. Enquanto o browser começou uma lenta queda em 2011 (enquanto seu antigo adversário IE vive este mesmo comportamento desde o meio dos anos 2000), o crescimento abrupto do Chrome eclipsou completamente seu rival no fim do ano passado. O navegador do Google quase dobrou sua parcela de mercado no ano passado, crescendo 28% até o fim do ano, enquanto o Firefox diminui de 30% para 25% sua presença.

Polêmicas
As recentes polêmicas envolvendo a Mozilla também não ajudaram muito. A organização iniciou uma batalha pública para manter o H.264, tecnologia proprietária para codificação de vídeo, fora da web, lugando por uma alternativa open-source, porém foi forçada a anunciar que teria que ceder e começar a suportar o H.264 em março.

Além disso, a companhia anunciou este mês que a Microsoft efetivamente impediu a empresa de desenvolver uma versão do Firefox para o Windows RT. A variação do processador ARM, que rodará o Windows 8, só permitirá que o IE funcione no modo Windows Classic completo. “Na prática, isso significa que apenas o Internet Explorer poderá realizar muitas das funções avançadas de computação vitais para browsers modernos em termos de velocidade, estabilidade e segurança, que os usuários cresceram acostumados” escreveu Harvey Anderson, conselheiro geral da Mozilla, em um post no blog da empresa.

Então, o que o fabricante de um navegador problemático pode fazer? De acordo com o analista do IDC, Al Hilwa, a chave é uma ênfase contínua na abertura.“O Firefox tem uma postura de navegação para aqueles que não querem se alinhar com um ecossistema ou plataforma específicos ou pechinchar", diz ele.

A ideia relembra os dias de popularidade no início do Firefox – jogar como "forasteiro" tem comprovadamente dado certo para o navegador antes, por isso não é uma extensão enorme a ponto de fazer da Mozilla o “Davi contra os gêmeos Golias “da Microsoft e do Google.

Independentemente de como a companhia é vista, no entanto, o déficit em recursos disponíveis de desenvolvimento é um dos mais importantes, diz Hilwa. O Chrome, especificamente, é o resultado de um investimento "maciço" por parte do Google, e tem feito grandes avanços na integração do HTML5 e em desempenho.“O problema [para a Mozilla] é: eles podem manter a Pesquisa e Desenvolvimento alto?”, diz ele.

Voluntários
A incapacidade da Mozilla de corresponder aos recursos efetivamente ilimitados que o Google e a Microsoft podem despejar em seus produtos tem feito sua presença ser sentida. Por exemplo, a empresa anunciou recentemente que sua próxima loja de aplicativos web não daria, inicialmente, suporte ao Linux. Nas discussões do fórum, representantes da Mozilla disseram que a omissão de compatibilidade com o Linux era produto de uma base relativamente pequena de usuários do Linux, comparado com o sistema operacional da Mac e o Windows.

Outro comentário, no entanto, do diretor de produto Asa Dotzler, parece implicar que a empresa simplesmente não tem o pessoal necessário para criar esse apoio. “Supondo que hackers do Linux pagos pela Mozilla estão ocupados com itens de maior prioridade, precisamos encontrar voluntários para ajudar”, escreveu ele.

Apesar de seus problemas recentes, o Firefox ainda está em uso generalizado, e o navegador é apenas um em uma série de projetos no âmbito de gestão da organização. Seu cliente de e-mail, o Thunderbird, é popular na comunidade open-source e é a opção padrão no Ubuntu, e o navegador Camino Mac é geralmente bem visto, se não amplamente utilizado.“Eles ainda têm uma forte comunidade e tecnologia”, diz Lyman da 451 Research.

Dito isso, a Mozilla provavelmente irá viver e morrer com o seu navegador principal. Com o Chrome continuando a ganhar usuários e a Microsoft se preparando para o Windows 8, o fabricante do navegador open-source possui grandes desafios para enfrentar.

Fonte: IDG Now!